Diagnóstico de Doença Celíaca

O que é preciso para um diagnóstico correcto?

A simples presença de sintomas não chega para fazer um diagnóstico com segurança. Assim, e antes de mais nada, o médico deve completar a sua observação com um conjunto de análises que lhe permitam conhecer as consequências das perturbações da absorção intestinal. Na fase activa da doença por exemplo, são frequentes a anemia e a diminuição da concentração de alguns componentes habituais do sangue como o colesterol, o ferro e as proteínas. Há, por outro lado, vitaminas que também não são bem absorvidas o que se traduz pela baixa dos seus níveis circulantes (ácido fólico) ou pelas consequências da sua falta (no caso da vitamina K há alongamento do chamado tempo de protrombina, e no da vitamina D alterações do cálcio e do fósforo ou até raquitismo). Pode ainda recorrer-se a provas que avaliam a capacidade de absorção do intestino para diversas substâncias e dão portanto uma ideia das lesões aí existentes. É o caso da prova de absorção da xilose que por ser muito simples e fiel é das mais utilizadas na doença celíaca. Por outro lado, quando o celíaco não faz dieta aparecem, por vezes, em circulação anticorpos contra os componentes do glúten que podem ser analisados. Todos estes meios porém, de forma isolada, não chegam para o diagnóstico dado que existem outras situações com alterações laboratoriais parecidas com as que se encontram na DC. Para completa segurança é necessário analisar de forma directa o que se passa no intestino, a partir de fragmentos que se obtêm através de uma sonda especial conduzida sem dor até ao local que se quer estudar. A isto se chama biópsia, através da endoscopia digestiva alta, e é ela o passo fundamental do diagnóstico. Como tal, o critério de diagnóstico da DC assenta, essencialmente, em sinais e sintomas sugestivos da doença, em testes serológicos (análises ao sangue para pesquisar a existência de anticorpos característicos da DC) e por fim biópsia(s) intestinal(ais) para confirmação de diagnóstico. O diagnóstico deve ser iniciado quando o indivíduo ainda não está a praticar a dieta isenta de glúten. A sobrecarga de glúten não é considerada necessária para o diagnóstico, excepto em indivíduos para os quais não foi realizada biópsia inicial ou cujos resultados foram inconclusivos ou não coincidentes com a DC.

Testes serológicos

Apesar da biópsia intestinal permanecer como gold standard para o diagnóstico da DC, o desenvolvimento de testes serológicos (especialmente o aparecimento da anti-transglutaminase), de elevada especificidade e sensibilidade têm permitido o diagnóstico de formas atípicas ou assintomáticas, com consequente aumento da incidência e prevalência da DC. A combinação de diferentes testes serológicos evita a realização de procedimentos invasivos para diagnóstico e monitorização da DIG. No entanto, por ser uma ferramenta recente, existem ainda muitos médicos que, por desconhecimento, não a utilizam no diagnóstico. Os testes serológicos utilizados no diagnóstico da DC são:

  • Anti-transglutaminase (TTG) IgA e/ou IgG – apresentam uma óptima relação sensibilidade/especificidade;
  • Anti-gliadina (AGA) IgA e/ou IgG – indicado para crianças com menos de 4 anos pois não produzem anticorpos TTG;
  • Anti-endomísio (EMA) IgA – apresentam melhor especificidade, servem para confirmar o resultado positivo obtido nos TTG.

A anti-transglutaminase tem sido identificada como um marcador importante de DC, o qual permite um diagnóstico fiável e sensível, assim como é extremamente útil na na monitorização do tratamento visto que os seus valores podem normalizar cerca de 6-12 meses após iniciar a DIG. Assim sendo, quando existem suspeitas de DC procede-se à determinação dos testes serológicos da DC. Se estes forem positivos ou negativos mas com suspeita clínica elevada deve ser realizada uma biópsia intestinal de forma a identificar as lesões típicas da DC e estabelecer o diagnóstico de DC.

A biópsia

Embora extremamente importante, a biópsia é olhado às vezes com uma certa reserva, como se fosse uma "operação" dolorosa, difícil e com muitos riscos. Nada disto é verdade, e se eventualmente se torna incómoda, isso dever-se-á mais à falta de colaboração do doente do que ao exame em si. Quanto a riscos, é evidente que como qualquer prova, a biópsia intestinal tem os seus, mas eles são mínimos quando efectuados por uma equipa experiente em meio hospitalar. Por isso, se compararmos friamente os prós e os contras, não teremos dúvidas em afirmar que as suas vantagens são de longe superiores aos seus inconvenientes. A observação do fragmento de intestino assim obtido vai permitir uma avaliação directa das lesões existentes. Estas dizem respeito sobretudo à camada mais interior do intestino, a mucosa, a qual tem no indivíduo normal, múltiplas saliências microscópicas (as vilosidades) que multiplicam extraordinariamente a superfície de absorção. Depois de preparado e cortado, o fragmento obtido pela biópsia mostra estas vilosidades, com o aspecto de "árvores" (ciprestes!) de forma mais ou menos regular. No celíaco sem dieta as vilosidades desaparecem praticamente, surgindo uma intensa inflamação local. Se estas alterações melhorarem com a retirada do glúten da alimentação e voltarem quando ele for reintroduzido, então estar-se-á seguramente perante uma doença celíaca tal como ela foi definida em 1971 pela Sociedade Europeia de gastroenterologia e Nutrição Pediátrica (ESPGAN). Para chegarmos a este diagnóstico foram necessárias três biópsias e um caminho por vezes complexo a seguir.

  • Mar Ibérica
  • Schar
  • Glutamine
  • Apolónia
  • Telepizza
  • Gullón
  • Sovex
  • Soria Natural
  • Alpro
  • Pescanova
  • Celeiro
  • Dr. Oetker
  • McDonald’s