Tratamento

Em que consiste o tratamento?

Actualmente, o único tratamento aceite consiste numa dieta isenta em glúten (DIG) para toda a vida. A mesma deve ser rigorosa, saudável e equilibrada, não devendo os alimentos que contêm glúten ser eliminados mas sim substituídos por outros cujas matérias-primas não o contêm. Apenas a eliminação do glúten da alimentação permite que o intestino regenere por completo da lesão e o organismo recupere. Contudo, se houver reintrodução do glúten, as inflamações regressam e os sintomas reaparecem. Como o glúten se encontra no TRIGO, CENTEIO, CEVADA e AVEIA, a dieta para ser eficaz não poderá conter nenhum destes 4 cereais ou seus derivados. Mas atenção: a resposta do intestino é geralmente rápida e por isso não se deve fazer qualquer restrição alimentar ANTES DA CONFIRMAÇÃO DO DIAGNÓSTICO PELA BIÓPSIA. Desta forma, evitam-se diagnósticos inconclusivos e grandes prejuízos para os doentes.

Objectivos da DIG

O estado nutricional de um indivíduo recentemente diagnosticado depende de há quanto tempo foi feito o diagnóstico, das lesões intestinais e do grau de malabsorção. Indivíduos recentemente diagnosticados, ou inadequadamente tratados podem apresentar uma grave perda de peso, anemia, baixa densidade mineral óssea e deficiências em vitaminas e minerais. A malabsorção de ferro, folato e cálcio são comuns, uma vez que estes nutrientes são absorvidos na parte intestinal onde ocorrem as lesões. A DIG tem por objectivos diminuir os sintomas gastrointestinais e os valores dos testes serológicos, melhorar a mucosa intestinal e o estado nutricional do indivíduo. Por consequente, o diagnóstico e a dieta devem ser estabelecidos precocemente, uma vez que a DIG implementada na infância ou adolescência são a única forma de assegurar o desenvolvimento e crescimento adequado da criança celíaca e, quando praticada a longo prazo, a dieta mantém a composição normal em jovens adultos e protege das complicações da DC em idade adulta. Nos casos mais graves (com malnutrição evidente) é possível que existam carências de várias ordens pelo que pode ser necessário administrar suplementos vitamínicos ou ferro nos primeiros tempos de tratamento. Contudo, isto só deve ser feito se o médico o achar necessário. Depois da retirada do glúten é frequente verificar-se o aparecimento de um apetite voraz, o que é um bom sinal e entusiasma, principalmente, os pais da criança celíaca. Deve manter-se, porém, uma certa prudência pois a ingestão excessiva de alimentos inadequados (alto teor de gordura e/ou açúcares) não é bem tolerada por um intestino incompletamente recuperado, além de que poderá conduzir a um aumento de peso exagerado. Não parece lógico que à subnutrição deixemos suceder um estado de obesidade!

Monitorização

No tratamento da DC é necessária uma monitorização contínua através da análise dos resultados dos testes serológicos, do estado nutricional e dos parâmetros bioquímicos, com o objectivo de verificar o cumprimento da DIG. Assim, é recomendada a medição dos TTG seis meses após o tratamento com DIG, pois uma diminuição deste anticorpo é um indicador indirecto da adesão à dieta e consequente recuperação do indivíduo com DC.

Uma dieta equilibrada

Os cuidados a ter com a alimentação não passam simplesmente por excluir o glúten da dieta. Uma alimentação variada e adequada a cada indivíduo é essencial para satisfazer todas as necessidades do organismo em nutrientes, principalmente durante a infância. Permite um normal desenvolvimento e crescimento, bem como a prevenção de uma série de problemas de saúde ligados à alimentação: anemia, atraso de crescimento, malnutição, obesidade, diabetes, etc. Importante não esquecer que a exclusão do glúten da dieta não obriga a exclusão de alimentos, mas sim à sua substituição por outros do mesmo tipo, confeccionados com os cereais permitidos. Cuidados, como praticar exercício físico e ter bons hábitos alimentares, contribuem para viver melhor os anos futuros, e os celíacos não são excepção!

A Aveia na DIG

A incorporação da aveia na dieta isenta de glúten (DIG) aumenta incontestavelmente o valor nutricional da dieta, mas o seu uso continua a ser controverso. Estudos recentes demonstraram que a longo prazo o consumo de aveia mostrou-se seguro para a maioria das crianças e adultos com DC. A generalidade destes estudos utilizaram aveia pura (não contaminada com glúten de trigo, centeio ou cevada). Ainda assim constatou-se que um pequeno número de indivíduos com DC não consegue tolerar a aveia na sua forma pura.

Quando se fala em Portugal a realidade é diferente, devido à inexistência de empresas especializadas no fabrico de aveia pura. Por esse motivo, continuamos a não recomendar o consumo de aveia, a menos que se possa garantir que se trata de aveia que não contém nenhum vestígio de glúten.

Saiba mais sobre o consumo da aveia e como a introduzir na DIG aqui.

Outros tratamentos em desenvolvimento

Como já referido, a DIG é, actualmente, o único tratamento para a DC. Esta dieta nem sempre é fácil, sendo geralmente, dispendiosa e dificultada pela variedade reduzida de opções – ainda que esta última situação tenha melhorado nos últimos anos. Com o avançar da ciência novos horizontes têm sido abertos, sendo as hipóteses actuais mais próximas de efectivação a vacina, que curaria (ao contrário da maior das vacinas que apenas previne) a DC, e os comprimidos que permitiriam que o celíaco pudesse ingerir glúten sem uma resposta negativa do seu organismo. Relativamente à vacina, esta vem sendo desenvolvida por uma equipa de cientistas australianos, tendo já sido testada com sucesso em animais. Espera-se que os testes em humanos comecem em breve e, segundo o responsável pela investigação, a vacina conteria um fragmento de glúten que faria com que o corpo «aprendesse» a ser tolerante. Assim, existiria uma dessensibilização ao glúten. Esta é uma hipótese francamente animadora para todos os celíacos que, contudo, ainda têm um longo caminho a percorrer. Já os comprimidos parecem ser uma realidade mais próxima, uma vez que a sua testagem já se encontra na fase 2b (sendo que a 3 é a última fase antes da comercialização, durando cada fase cerca de 10 anos). Estes comprimidos formariam um grupo denominado antagonistas dos receptores da zonulina, uma proteína relacionada com a permeabilidade dos tecidos epiteliais que apresenta valores mais elevados nos celíacos do que na restante população. Estando actualmente a ser testado num grupo de 180 pessoas, este fármaco deveria ser ingerido antes de cada refeição, uma vez que a sua eficácia seria por períodos de cerca de duas a três horas. O avanço da ciência abriu também novas possibilidades na cura da DC, entre as quais a desintoxicação da gliadina, a realização de suplementos orais de enzimas especiais, a fabricação de compostos que possam bloquear o local de adesão das moléculas nocivas aos celíacos e administração nasal de gliadina por forma a adquirir tolerância à mesma. É relevante o facto de todas estas possibilidades poderem ocorrer apenas com recurso à engenharia genética e, por isso, ainda se encontrarem numa fase «embrionária» de desenvolvimento.

Inclusão Social na DIG

Quando a dieta é cumprida o celíaco poderá levar UMA VIDA INTEIRAMENTE NORMAL: os celíacos podem (e devem!) crescer, desenvolver-se e socializar-se como os outros, não devendo por isso ser impedidos de praticar ginástica, atletismo, natação ou quaisquer outros exercícios físicos/actividades sociais adequados à sua idade. Há sobretudo que evitar olhar para eles como uns "doentinhos": tal como certas pessoas não podem comer mariscos, carne de porco, etc., os celíacos não toleram o glúten pelo que precisam apenas de uma alimentação sem os 4 cereais já conhecidos. Temos de reconhecer porém que esta dieta nem sempre é fácil, até porque estes alimentos fazem parte do dia-a-dia de todas as famílias. Por outro lado, embora existam no mercado muitos produtos sem glúten, eles são habitualmente caros e a sua distribuição pelo país é bastante irregular. Isto não quer dizer que não se possa fazer uma dieta sem glúten perfeitamente equilibrada e apetitosa: basta encarar o problema de frente e introduzir algumas adaptações nos nossos cozinhados. Acima de tudo há que contar com a compreensão de TODOS OS MEMBROS DA FAMÍLIA já que a sua colaboração É INDISPENSÁVEL para o cumprimento integral da dieta e para a educação do celíaco. Há quem proponha mesmo que para simplificar o trabalho de casa, todos passem a fazer o mesmo tipo de alimentação. Não há qualquer inconveniente nesta solução a qual pode ajudar a diminuir uma eventual "diferença" na atitude perante diferentes irmãos. Para além das ementas de todos os dias haverá também que imaginar soluções práticas para problemas concretos como a alimentação na escola, as festas de anos, as viagens, os restaurante, etc. E se, apesar de todos os cuidados, acabar por surgir uma falha isolada, ela não deve ser motivo de preocupação exagerada mas servir sobretudo para reflexão e para evitar futuras repetições.

Consequências do não cumprimento da DIG

Algumas crianças (principalmente os mais jovens) respondem intensamente à ingestão de pequenas quantidades de glúten o que serve de "aviso" para o "infractor".

Em muitos casos, infelizmente, à medida que o tempo passa, os sintomas relacionados com as falhas na dieta vão-se tornando cada vez mais discretos e às vezes quase que desaparecem (pelo menos por algum tempo).

Isto não quer dizer que o celíaco ESTEJA CURADO como erradamente algumas pessoas pensam por vezes: se as falhas se mantiverem iremos encontrar mais tarde ou mais cedo sintomas que vão confirmar esse facto.

É fácil de compreender que enquanto as queixas não forem muito evidentes é por vezes difícil convencer o celíaco a manter a dieta.

Estes problemas são particularmente agudos na adolescência onde a "contestação" é mais fácil e os sintomas mais raros.

Será útil então uma conversa com o médico assistente nutricionista... e uma boa dose de paciência!

Aguns estudos referem uma forte associação entre o não cumprimento da dieta e o aparecimento de complicações como, osteoporose, infertilidade, depressão, absentismo, malnutrição, entre outros.

Hoje admite-se que a DC possa favorecer o aparecimento de tumores no tubo digestivo nos casos em que a dieta não é cumprida.

Embora esta associação não se possa afirmar com uma segurança absoluta, parece lógico admitir que um intestino que é "agredido" de forma continuada por uma substância nociva (neste caso o glúten) possa a certa altura "perder o controlo" e originar um tumor.

Deve concluir-se pois que, após confirmado o diagnóstico de doença celíaca, a dieta DEVE MANTER-SE DEFINITIVAMENTE.

Como referido anteriormente, isto não é razão para que a alimentação não seja agradável e equilibrada como a que fazemos habitualmente.

É importante lembrar que há regiões do mundo onde, por tradição, os cereais com glúten não são utilizados e não consta que estas populações sejam menos felizes por isso!

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