Faz Sentido

Uma rubrica onde se abordam diversos temas, sob o olhar da Psicologia, mostrando como as emoções, os pensamentos e os comportamentos influenciam o bem estar e a qualidade de vida dos celíacos.

A Dr.ª Helena Correia, psicóloga e responsável pela rubrica, realiza intervenção psicológica com crianças, jovens e adultos, através de serviços de Consulta Psicológica, Consultoria Psicopedagógica e Aconselhamento, desde 2002. É mãe de um menino celíaco, e por isso uma ativista da causa celíaca e estudiosa do impacto psicossocial do diagnóstico da doença celíaca e da dieta isenta de glúten.

Tal como vai ao Gastroenterologista e ao Nutricionista, saiba que é normal consultar também um Psicólogo. Afinal, o bem-estar psicológico faz parte da saúde mental e a saúde mental contribui para a nossa saúde global. Agende a sua consulta através de geral@celiacos.org.pt.

Quando um novo ano começa, muitas são as resoluções que queremos concretizar. Poupar mais, ir mais vezes ao ginásio, voltar a estudar, entre outras. Para quem é celíaco essas resoluções passam necessariamente por manter e melhorar a dieta isenta de glúten (DIG).

Cumprir esta dieta implica escolher bem os alimentos, sejam os naturalmente isentos desta proteína ou as alternativas específicas; exige controlar a contaminação cruzada e ainda assim não deixar de fazer a vida social em torno da mesa, como é tão habitual na nossa cultura. Rapidamente o otimismo inicial se pode transformar em mais uma fonte de pressão ou até de frustração, quando encaramos esta dieta como uma imposição para toda a vida e nos confrontamos com alguns desafios a ela associados.

Importa então encontrar algumas estratégias que permitam aligeirar e encarar a DIG de forma positiva. Em 2022, facilite a sua vida!

– Comece pela etiqueta verbal. Experimente mudar o “tenho que” pelo “quero” ou “vou”. A primeira é uma expressão pesada, de exigência, as outras representam uma vontade plena, uma intenção poderosa, o assumir de uma escolha acertada.

– Simplifique a ida às compras. No dia-a-dia o melhor é optar pelos alimentos naturalmente isentos de glúten (frutas, legumes e leguminosas, carne, peixe, ovos), apostar nos específicos sem glúten que já conhece, como aquele preparado de farinha panificável que nunca falha, as bolachas que agradam sempre aos filhotes, as massas alimentícias devidamente identificadas. Quando tiver mais disponibilidade e/ou paciência, então logo faz as suas prospeções ao mercado, presta atenção às novidades ou lê com olhos de ver os rótulos de algo diferente que lhe desperte interesse.

– Promova a sua vida social e a dos celíacos lá de casa. Receber os amigos, introduzindo-os às agradáveis surpresas de uma refeição ou petisco isento de glúten é sempre um sucesso. Além de comer bem e em segurança, recolhe a admiração de quem acha que DIG deve ser do outro mundo. Mostra que é simples e tão natural como qualquer outro regime alimentar. Conviver experimentando os novos estabelecimentos garantidamente aptos para celíacos, fazer um piquenique ou sair somente para uma bebida, fazem maravilhas pelo nosso estado de espírito. Se existir risco de contaminação, apareça simplesmente. Com ou sem marmita, o que realmente conta é a sua presença.

– Sobretudo, continue a campanha! Quem é celíaco, familiar direto de celíaco, ou amigo, sabe como é determinante formar e informar sobre estas questões. É assim como uma missão. Quantas mais pessoas ouvirem falar sobre o que é o glúten e a doença celíaca, ou em que consiste a DIG e a sua importância, mais fácil é manejar a dieta e prosseguir cada vez com mais confiança e menos constrangimentos em afirmar-se sem glúten, sem espigas desnecessárias.

 

Quem não teve já que enfrentar afirmações como “mas isso do glúten não vai passar com o tempo?”, “e se comeres só um bocadinho, só hoje?…”, “é uma reunião familiar, não faças desfeita com esses caprichos e mania das dietas…”, “preparei um bolo especial para ti, só com ingredientes caseiros e naturais, nada que te faça mal”, “este é sem lactose…”?

Sejamos realistas, ninguém é obrigado a conhecer com detalhe a doença celíaca, em que consiste uma dieta isenta de glúten ou o que é a contaminação cruzada. Mas qualquer pessoa tem sim a obrigação de respeitar indicações sobre os imperativos da sua alimentação. Por isso, depois do diagnóstico, no processo de aceitação, importa desenvolver uma boa estratégia de comunicação acerca desta condição.

Seja claro.

Encontre uma ideia-chave a que possa recorrer em diversas situações para se apresentar como celíaco. Prepare uma cábula com a mesma declaração em línguas estrangeiras para quando for viajar. Prepare etiquetas de identificação para a lancheira ou lanches dos seus filhos celíacos, recorra também ao símbolo da espiga traçada. Não deixe nunca de mencionar a sua doença celíaca em momentos em que é relevante – na reserva de um alojamento, perante um convite para jantar, na sala de refeições do seu local de trabalho, na escola dos seus filhos. Esta clareza faz passar a informação essencial, desperta a atenção e reduz os equívocos.

Seja paciente.

Aliás, seja MUITO paciente e não tenha ilusões. Terá que repetir a ideia vezes sem conta, para com as pessoas diferentes com quem vai contactando nos diversos contextos da sua vida e até com as mesmas pessoas, em momentos e situações diversas, até que integrem a informação.

Com a família alargada deve insistir e aproveitar cada ocasião propícia para estabelecer as suas regras. Envolver-se no planeamento de uma festa de família, para incluir alternativas sem glúten e controlar as possibilidades de contaminação, dar a provar um prato confecionado sem glúten, partilhar receitas ou dicas de como organizar um evento envolvendo comida, recorrendo apenas a ingredientes naturalmente isentos de glúten, são apenas algumas sugestões.

Pense que a mesma abertura, tolerância e compreensão que espera dos outros deve primeiramente ser praticada por si.

Seja assertivo.

Perante a família, amigos, namorado, colegas de trabalho ou chefias, funcionários de um restaurante, ou outros em geral, ser-se assertivo em relação à doença celíaca é fundamental.

Ser celíaco não foi uma escolha sua. Mas é uma condição que lhe confere direitos. Tem o direito de ver as suas necessidades acolhidas e atendidas. Não tem que pedir desculpa por ser celíaco, tem que ser respeitado nas suas particularidades, que afinal de contas, não lesam ninguém. Esta posição firme pode exigir ajuda especializada, nomeadamente, de um psicólogo.

Depois de se ser diagnosticado celíaco, não há como não sê-lo. Há que abraçar a causa celíaca, o que implica estar numa espécie de campanha permanente, aprender a defender a saúde e o bem-estar físico e psicológico, sem culpas, sem angústias, com orgulho!

2022

Quando um novo ano começa, muitas são as resoluções que queremos concretizar. Poupar mais, ir mais vezes ao ginásio, voltar a estudar, entre outras. Para quem é celíaco essas resoluções passam necessariamente por manter e melhorar a dieta isenta de glúten (DIG).

Cumprir esta dieta implica escolher bem os alimentos, sejam os naturalmente isentos desta proteína ou as alternativas específicas; exige controlar a contaminação cruzada e ainda assim não deixar de fazer a vida social em torno da mesa, como é tão habitual na nossa cultura. Rapidamente o otimismo inicial se pode transformar em mais uma fonte de pressão ou até de frustração, quando encaramos esta dieta como uma imposição para toda a vida e nos confrontamos com alguns desafios a ela associados.

Importa então encontrar algumas estratégias que permitam aligeirar e encarar a DIG de forma positiva. Em 2022, facilite a sua vida!

– Comece pela etiqueta verbal. Experimente mudar o “tenho que” pelo “quero” ou “vou”. A primeira é uma expressão pesada, de exigência, as outras representam uma vontade plena, uma intenção poderosa, o assumir de uma escolha acertada.

– Simplifique a ida às compras. No dia-a-dia o melhor é optar pelos alimentos naturalmente isentos de glúten (frutas, legumes e leguminosas, carne, peixe, ovos), apostar nos específicos sem glúten que já conhece, como aquele preparado de farinha panificável que nunca falha, as bolachas que agradam sempre aos filhotes, as massas alimentícias devidamente identificadas. Quando tiver mais disponibilidade e/ou paciência, então logo faz as suas prospeções ao mercado, presta atenção às novidades ou lê com olhos de ver os rótulos de algo diferente que lhe desperte interesse.

– Promova a sua vida social e a dos celíacos lá de casa. Receber os amigos, introduzindo-os às agradáveis surpresas de uma refeição ou petisco isento de glúten é sempre um sucesso. Além de comer bem e em segurança, recolhe a admiração de quem acha que DIG deve ser do outro mundo. Mostra que é simples e tão natural como qualquer outro regime alimentar. Conviver experimentando os novos estabelecimentos garantidamente aptos para celíacos, fazer um piquenique ou sair somente para uma bebida, fazem maravilhas pelo nosso estado de espírito. Se existir risco de contaminação, apareça simplesmente. Com ou sem marmita, o que realmente conta é a sua presença.

– Sobretudo, continue a campanha! Quem é celíaco, familiar direto de celíaco, ou amigo, sabe como é determinante formar e informar sobre estas questões. É assim como uma missão. Quantas mais pessoas ouvirem falar sobre o que é o glúten e a doença celíaca, ou em que consiste a DIG e a sua importância, mais fácil é manejar a dieta e prosseguir cada vez com mais confiança e menos constrangimentos em afirmar-se sem glúten, sem espigas desnecessárias.

 

Quem não teve já que enfrentar afirmações como “mas isso do glúten não vai passar com o tempo?”, “e se comeres só um bocadinho, só hoje?…”, “é uma reunião familiar, não faças desfeita com esses caprichos e mania das dietas…”, “preparei um bolo especial para ti, só com ingredientes caseiros e naturais, nada que te faça mal”, “este é sem lactose…”?

Sejamos realistas, ninguém é obrigado a conhecer com detalhe a doença celíaca, em que consiste uma dieta isenta de glúten ou o que é a contaminação cruzada. Mas qualquer pessoa tem sim a obrigação de respeitar indicações sobre os imperativos da sua alimentação. Por isso, depois do diagnóstico, no processo de aceitação, importa desenvolver uma boa estratégia de comunicação acerca desta condição.

Seja claro.

Encontre uma ideia-chave a que possa recorrer em diversas situações para se apresentar como celíaco. Prepare uma cábula com a mesma declaração em línguas estrangeiras para quando for viajar. Prepare etiquetas de identificação para a lancheira ou lanches dos seus filhos celíacos, recorra também ao símbolo da espiga traçada. Não deixe nunca de mencionar a sua doença celíaca em momentos em que é relevante – na reserva de um alojamento, perante um convite para jantar, na sala de refeições do seu local de trabalho, na escola dos seus filhos. Esta clareza faz passar a informação essencial, desperta a atenção e reduz os equívocos.

Seja paciente.

Aliás, seja MUITO paciente e não tenha ilusões. Terá que repetir a ideia vezes sem conta, para com as pessoas diferentes com quem vai contactando nos diversos contextos da sua vida e até com as mesmas pessoas, em momentos e situações diversas, até que integrem a informação.

Com a família alargada deve insistir e aproveitar cada ocasião propícia para estabelecer as suas regras. Envolver-se no planeamento de uma festa de família, para incluir alternativas sem glúten e controlar as possibilidades de contaminação, dar a provar um prato confecionado sem glúten, partilhar receitas ou dicas de como organizar um evento envolvendo comida, recorrendo apenas a ingredientes naturalmente isentos de glúten, são apenas algumas sugestões.

Pense que a mesma abertura, tolerância e compreensão que espera dos outros deve primeiramente ser praticada por si.

Seja assertivo.

Perante a família, amigos, namorado, colegas de trabalho ou chefias, funcionários de um restaurante, ou outros em geral, ser-se assertivo em relação à doença celíaca é fundamental.

Ser celíaco não foi uma escolha sua. Mas é uma condição que lhe confere direitos. Tem o direito de ver as suas necessidades acolhidas e atendidas. Não tem que pedir desculpa por ser celíaco, tem que ser respeitado nas suas particularidades, que afinal de contas, não lesam ninguém. Esta posição firme pode exigir ajuda especializada, nomeadamente, de um psicólogo.

Depois de se ser diagnosticado celíaco, não há como não sê-lo. Há que abraçar a causa celíaca, o que implica estar numa espécie de campanha permanente, aprender a defender a saúde e o bem-estar físico e psicológico, sem culpas, sem angústias, com orgulho!

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