Não existem motivos para que deixe de ir comer fora caso seja celíaco(a). É possível ter uma boa experiência, e segura.

A sua primeira opção deverá ser procurar um estabelecimento com o símbolo de certificação APC/Biotrab. O facto de estar certificado significa que cumpre com os procedimentos necessários para garantir uma refeição segura, desde a preparação ao próprio serviço. São cada vez mais os estabelecimentos a aderir à certificação, pelo que, sempre que possível, privilegie esses em detrimento de outros.
Consulte os estabelecimentos aqui.

De acordo com o Decreto-Lei n.º 26/2016 de 9 de junho (ver decreto), os estabelecimentos têm que ter disponível para consulta os ingredientes/produtos presente em cada prato suscetíveis de provocar alergias ou intolerâncias, incluindo o glúten. Esta informação pode ser apresentada por escrito (menu/fichas técnicas), oralmente ou noutro formato de forma clara e atualizada. No entanto, não são obrigados a facultar uma refeição sem glúten, pelo que o melhor mesmo será apostar no diálogo.

Se possível, contacte previamente o restaurante e procure falar diretamente com o chefe de cozinha para saber se servem pratos (seguros) sem glúten. Explique que não pode ingerir glúten por uma questão de saúde e que a ingestão de apenas uma migalha ou quantidade vestigial prejudicam gravemente a sua saúde. Não descore reforçar esta mensagem uma vez que recebem clientes com pedido sem glúten por uma questão de mera opção alimentar, o que não requer rigor.

Saliente os produtos naturalmente isentos de glúten que pode comer e dê exemplos concretos do que não pode comer e/ou das possíveis contaminações, como: molhos com farinha de trigo; pão ralado; croutouns; alguns caldos de cozinha; óleos utilizados para fritar alimentos com glúten (salgados, panados, algumas batatas pré-fritas); condimentos de mostarda.

Se vir que utilizam algum ingrediente perigoso, como o caldo de cozinha no arroz, peça para verificar os ingredientes no rótulo e confirmar se é isento. Tenha especial atenção às sopas, podem ter adição de caldos, algum preparado na base com glúten ou até mesmo adição de massa ou croutouns não mencionados no menu. Os pratos como empadão (carne picada em equipamentos onde possa ter passado glúten), feijoada e cozido à portuguesa (farinheira e outros enchidos), arroz de marisco (delícias do mar), caldeirada (caldos de cozinha), e outros pratos com molhos, ainda que à base de alimentos naturalmente isentos, são normalmente proibidos aos celíacos pelos ingredientes que lhes são adicionados.

Caso não exista nada adequado no menu, questione se lhe podem preparar um prato específico para si. Felizmente a cozinha tradicional portuguesa tem muitos pratos naturalmente isentos de glúten e é nesses que deve apostar, garantindo sempre que não existe contaminação cruzada. Além de escolher um prato adequado, é extremamente importante que faça todas as questões necessárias ao chefe de cozinha/responsável do restaurante/chefe de sala, para que se sinta seguro e satisfeito com a sua escolha.

Verifique o menu e analise a que perigos deve estar atento. Algumas preparações, como por exemplo o torricado, em que o pão pode ser grelhado na mesma grelha usada para a carne, fazem com que mesmo um simples bife grelhado possa ficar contaminado. Também as pataniscas podem criar a dúvida da existência de farinha em suspensão na cozinha.

Caso sirvam pão sem glúten, ou se levar o seu de casa, avise que não pode ser cortado ou servido junto com o pão com glúten. Confirme que a mesa onde se sentou está devidamente limpa, sem migalhas, o mesmo acontecendo com a cadeira de bebé, caso o seu filho seja o celíaco. Eles encontram sempre aquela migalha invisível ao olho de quem limpa. Consulte mais informações sobre as contaminações cruzadas aqui.

Com o aumento exponencial da moda da alimentação sem glúten, cada vez mais vemos locais que divulgam ter menus sem glúten, porém, quando contactados, verificamos que não existem cuidados na seleção das matérias-primas e de forma a evitar contaminações por glúten durante toda a sua manipulação. Por essa razão, a menos que o restaurante possua a certificação APC /Biotrab, deverá proceder como explicado.

Caso se trate de uma padaria e/ ou pastelaria, não certificada, com produção de produtos sem glúten em local comum aos com glúten, estes não são aptos a celíacos. Cabe-lhe a si ter sentido crítico e questionar antes de fazer o seu pedido.

Procure ir mais cedo para garantir que a sua refeição é das primeiras a ser confecionada. Leve consigo o folheto O que precisa saber através dos 3P’s os alimentos Permitidos, Proibidos e Perigosos – descarregar aqui. O download dos ficheiros está reservado aos sócios/amigos. Junte-se a nós.

Divulgue o projecto Gluten Free para que o estabelecimento seja mais um a oferecer refeições seguras sem glúten.

Após tudo confirmado, desfrute da sua refeição e do convívio. Este processo é mais desafiante mas não é razão para desistir — quase sempre temos boas surpresas e, com a sua ajuda, o restaurante em causa pode tornar-se num local de referência que vai querer visitar mais vezes. Em caso de dúvida, cumpra a regra de ouro e não consuma, mas que isso não seja inibidor do convívio.

Estes são apenas alguns dos cuidados a ter, para mais informações contacte-nos.

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